Viver é estar no mundo
Nasci isento de ideias, assim
como um hardware é no instante em que
sai da fábrica. Mas, conforme fui adquirindo consciência, trataram logo de
formatá-la e instalar anseios, ideias e ideais metafísico-fictícios. Passei a
viver numa pseudorrealidade paralela à única existente.Acreditei ser um hardware no qual os softwares não eram eu mesmo, ou seja, pensava eu ser instrumentalizado por aquele que configurava todas as minhas ferramentas para estar apto a "viver". Mas esqueceram que um dia os softwares poderiam ter inteligência própria. E eis que puderam.
Fui, portanto, apresentado à realidade apenas duas vezes em minha existência. Uma, ao nascer. Porém, não permitiram que eu continuasse a estar fixado na imanência. Decidiram me levar ao transcendente. Este como exemplo supra, superioridade, a única fonte da verdade, do bem, da vida eterna. A outra apresentação ocorreu quando desvencilhei-me de todos aqueles vírus que me retardavam, me bloqueavam em direção ao mundo real, à vivência.
O ateísmo trouxe-me de volta à existência concreta. Tirou-me da contemplação presunçosa de que alcançaria o além-mundo caso fosse escravo, sujo, pobre, passivo, obediente. Somos autossuficientes. Felizmente, a inteligência já atingiu seu amadurecimento.
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